Fonte: Acervo da LemavosQuando pensamos em licor, lembramos das festas juninas e os encontros com familiares e amigos. Mas há uma parte dessa história que poucos sabem: a agricultura familiar. Parte considerável da matéria-prima vem dela. Muitos desses produtores residem em locais de difícil acesso e não tem veículos para levar seus produtos para vender na cidade. Para isso, usam ônibus coletivos, pau-de-arara ou animais de carga para transportar seus produtos. Mesmo quando contam com ônibus coletivo da zona rural, precisam carregar centenas de quilos de sua residência até a estrada onde passam esses veículos. Essa dificuldade limita o transporte de produtos e consequentemente, diminui a renda. Ou seja, o produtor vende pouco não porque produz pouco, mas porque não consegue transportar o que produz até a cidade. E quando chove, a situação piora.

 “Já conhecíamos essa realidade. Meu avô passou anos da vida dele carregando farinha de mandioca no lombo de animal da zona rural da Cacimba, em Santo Antônio de Jesus, até Nazaré”, afirma Diego Lemos, produtor dos licores Brazeiro. As estradas precárias somadas ao período de chuvas na região do Recôncavo da Bahia que ocorre exatamente no período junino dificulta ainda mais o acesso. “Às vezes, preciso dar uma volta de 10km em estrada de chão somente porque um mata-burro está quebrado, ou porque um lago transbordou e encobriu a estrada. Se é difícil para mim, imagine para esses pequenos produtores”. Esta realidade contrasta com a idealização que muitos de nós construímos sobre a vida no campo, associando a uma vida perfeita e em harmonia com a natureza. “A lida da agricultura familiar não é fácil, mas me deixa muito feliz em saber que posso contribuir para melhorar essa realidade. É por isso que para mim, a parte mais emocionante da produção de licor é se relacionar com a agricultura familiar”.

Ele dá alguns exemplos disso. Em uma das famílias, conta que eles têm conseguido comprar bezerros a partir do dinheiro da venda das frutas para a produção do licor. Essa mesma família investiu em capacidade de refrigeração e equipamentos para melhorar a extração do mel de cacau, insumo este que antes era quase todo descartado. Em outra família, conta também que tem visto os filhos retornarem à zona rural. “É o exemplo típico que ocorre na agricultura familiar: são dois idosos com mais de sessenta anos que ainda não se aposentaram e que moram sozinhos na zona rural porque os filhos saíram do campo para a cidade em busca de uma vida melhor, mas quando o campo consegue oferecer melhores condições de vida, esses filhos voltam para o campo”. Mas não é só dinheiro que o licor Brazeiro leva para agricultura familiar, é orientação técnica também. “Com financiamento do CNPq, nós fizemos um estudo detalhado sobre a produção de algumas frutas e levamos este conhecimento ao produtor rural porque um bom licor começa com uma boa fruta”. São relações como esta que o selo da agricultura familiar visa reconhecer e valorizar.

O Selo da Agricultura Familiar é fornecido e gerenciado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para produtos que são produzidos ou que utilizam insumos produzidos pela ag

ricultura familiar. O processo de obtenção do selo é feito por meio de auditoria de notas fiscais e exige um volume mínimo de compras anuais para obter e manter o selo.

O licor Brazeiro é o primeiro e até o momento o único licor do estado da Bahia a conquistar este selo. “Para nós é muito importante esta conquista porque deixa claro para o consumidor que nosso compromisso vai além de simplesmente fabricar licor. Sentimos muito orgulho em saber que contribuímos para o desenvolvimento da agricultura familiar”, finaliza Diego Lemos, acrescentando que a empresa faz parte do Programa de Exportação da APEX e que este selo ajudará na entrada do produto no mercado externo. “Em muitos países europeus, há uma valorização de produtos oriundos da agricultura familiar e este selo é um importante degrau rumo à exportação. Sempre que um consumidor leva um licor Brazeiro para casa, leva também desenvolvimento a agricultura familiar”.